2 de abril de 2010

Sifuentes-Weber 100m 5+, Agulha Frey, Frey

      Para quem nunca escalou na região, a própria Agulha Frey é um verdadeiro campo-escola. É possível escalar em fendas, diedros, aderências e tudo mais com colocações em móvel, corda dupla, cadeirinha carregada de equipamento e fazer isso sem se preocupar em passar a noite na parede.
      As possibilidades de se perder e acabar em uma variante ou em outra via são grandes nessas paredes. O croqui estava sempre na mão para conferir o caminho e tomar uma decisão. Na dúvida haveria sempre uma parada para rapel por perto. Dividimos o equipamento em duas duplas. Eu e o Edu primeiro. O Bruno e a Bia em seguida.

Linha da via.

       Primeira cordada: A primeira cordada foi do Edu. Início em trepa bloco que vai se tornando um diedro. A dificuldade desta cordada está no final do diedro em lance bem vertical e aéreo. O psicológico pega, mas as proteções são ótimas. Obviamente não se pode dar ao luxo de cair pois a saída do lance é um platô. Vencido isto, mais alguns lances fáceis e chega-se na parada.

       Segunda cordada: esta é a mais longa das quatro. Na saída, parecia mais fácil sair para a direita, mas a linha era para a esquerda, mais vertical. A via continua por um diedro positivo à direita, mas de novo era possível entrar errado e tocar para a esquerda. Protegi bastante no diedro. Esta proteção demasiada me daria dor de cabeça depois. O diedro acabava em outro ponto que me deixou em dúvida e mais uma vez puxei o croqui. Os lances seriam para a direita, mais verticais e protegendo em pitons. O primeiro piton nem tinha visto e protegi com stoper e um camalot pequeno em uma fenda para a esquerda. Nessa hora vi que ainda tinha pelo menos um terço da cordada, e estava praticamente sem costuras. O equipamento tinha sido dividido entre duas duplas, e o Bruno também iria guiar esta cordada com poucas costuras. Nesta altura da via, encontrei uma chapa mais à esquerda e entrei em lances de aderência com regletes para me ancorar nela. Esperei o Edu repassar as cordas que estavam emboladas. Em seguida ele foi me descendo e eu fui limpando algumas costuras para usar pra cima. Refiz os lances do diedro, limpei a chapeleta onde me ancorei, voltei para a linha da via e terminei a cordada ainda fazendo milagre com costuras (rsrsrs).

       Terceira cordada: depois de dar segue para o Edu, repassamos as cordas e saí. O Bruno já tinha alcançado a gente e botava pressão pra ir mais rápido. Início vertical com poucas agarras, saí para um diedro positivo que ia se tornando mais vertical a medida que vai chegando debaixo do teto. Antes do teto a única proteção é um piton velho. Sem agarras para mão e praticamente sem possibilidade de proteção, fiquei um tempo pensando em como fazer a travessia para a direita, por baixo do teto. Debaixo do teto era um pequeno platô inclinado. Havia alguns blocos mais distantes com possibilidade de segurar, mas até chegar neles, seguiria somente pisando na beirada do platô, o que não era uma sensação gostosa quando existe somente um piton velho à uns 3 metros para baixo. Protegi com uma peça minúscula em uma fenda tão rasa que, em caso de queda eu duvido que aquilo me segurasse. Mas o psicológico melhorou e fiz a travessia. Fácil. A próxima proteção depois daquele piton e o camalot suspeito, seria uma chapa na parede do teto, depois de atravessá-lo inteiro. A parada estava a uns 4 metros mais à direita, depois de atravessar o teto.

       Quarta cordada: Depois de algumas fotos e um pouco de contemplação, o platô desta parada já estava com nós quatro. Esta última cordada era um brinde. Fácil. Do chão tem-se a impressão que é uma cordada em uma fenda vertical do começo ao fim. De perto é outra coisa. A fenda é cega e cheia de pitons no início até a primeira “barriga”. O último piton ignorei e usei uma peça, protegendo em móvel. Segue pela fenda até entrar em lances fáceis de agarra. Depois de virar a segunda “barriga”, termina praticamente andando e segurando nos imensos buracos.

       Rapel: pode ser feito pela própria via ou por trás da agulha. Escolhemos por trás da agulha e ficamos um tempo procurando o caminho para descer. Pirambeira do inferno! (rsrsrs). Descobrimos em outro dia que poderíamos ter feito um segundo rapel e descer pela frente da agulha. Mas como o croqui indicava um rapel atrás da agulha, fizemos como estava escrito.
Final da quarta e última cordada.

      Somando aproximação e escalada, levamos um pouco mais de 5 horas para fazer a via. Considerando pelo menos uns 15 minutos de caminhada, meia hora se arrumando na base da via, e o tempo gasto recuperando costuras no meio da segunda cordada, com certeza daria pra fazer em pouquíssimo tempo. A segunda cordada era realmente muito longa e a mais difícil. 
      Faltou experiência pra ler o croqui e entender que poderia faltar equipamento. Mas a experiência sobrou na hora de se virar e continuar a escalada.

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