21 de abril de 2010

Patagônia Argentina 2010 - Trilhas

      Se você vai para o Frey deve se lembrar que irá andar bastante. Só para chegar no Refúgio E. Frey pela trilha eslovena a caminhada tem cerca de 10Km. Pelo Catedral também. Pelos teleféricos, por Punta Princesa, a distância é menor, mas deve dar uns 5Km.
      Eu subi para o Frey três vezes. A primeira vez foi pela eslovena, e desci por ela. Ainda estava sozinho. A segunda, subimos pela eslovena e descemos pelo Catedral. A terceira subimos (ou descemos?!? rsrs) por Punta Princesa e descemos uma última vez, desta vez pela eslovena.

Em amarelo, as trilhas percorridas. Em branco alguns lugares por onde passamos nas trilhas.

      Se você vai com mochila carregada, é melhor pegar a eslovena. Menos íngreme e sem muito sobe e desce. Mas se quiser mais facilidade, pelo trilha do Catedral é melhor. A parada do ônibus para Bariloche fica a 50m do início da trilha e é tão fácil quanto a eslovena. Tem um pouco mais de sobe e desce, mas é susse
      A trilha por Punta Princesa é mais rápida, mas tem muita pedra pra ficar subindo e descendo e com cargueira nas costas é impossível. Usamos ela quando fomos para Bariloche reabastecer de comida para mais 5 dias. O interessante desta trilha é que você sobe pelos teleféricos e fica mais alto que o refúgio. Na verdade você "desce" para o Frey em vez de subir!


A cor da bota, já em casa. Logo depois de fazer as trilhas a bota ficava muito pior. Alguns trechos da trilha a poeira pega pra valer.

      Meu intuito aqui era só registrar mais ou menos por onde passamos. Não coloquei nada sobre caminhadas no Valle encantado e Lanquin porque, bem, não tem caminhada. Nem se compara! (rsrs)

      Link interessante: Trilhas do Frey - Clube Andino

      Outras fotos das caminhadas:


12 de abril de 2010

No Rock, No Fun!


      Vasculhando imagens de tempos que não voltam (eheh) encontrei esta. Nunca virou uma camiseta, mas merecia. A imagem foi gerada a partir de alguma foto escalando o Teto d'Andréia, no Canto do Morcego em Balneário Camboriú.

Eu, na Teto da Andréia 6b, Canto do Morcego, Camboriú.

      Esta foto lembra ótimos momentos, se não me engano, de 2006. Eu, Welder, Leonardo e Dhyan fizemos uma viagem para o litoral de Santa Catarina e Rio  Grande do Sul. O objetivo na época era escalar em Torres-RS.
      Naquela época olhar pra uma parede sem chapeletas era olhar para... nada! A gente não escalava nada, mas se divertia. Hoje escalo um pouco mais que nada, e continuo me divertindo (bastante).
      Naquela época nem sonhava com as vias e o equipamento que estaria usando hoje. "Escalada em móvel? Coisa de lôco. Tou fora!" ahuahauahu


Outras imagens da viagem:


A única via que o Welder brincou com a gente. Morro do Boi, Camboriú.

Que... que... é isso!?! Em Torres... fala sério.

Uma prova de que alguém escalou em Torres...rsrsrs

5 de abril de 2010

03/04/2010 Sai de Lado... e foge! (rsrsrs)

      Dia nublado e arriscando chover a todo momento. Sentia um pingo ou outro de vez em quando. Como saímos perto do meio-dia, fomos direto para o objetivo. A via Sai de Lado.
      Saindo justamente uns 5 metros ao lado direito da via Sai de Baixo, é outra via de duas cordadas no Campo das Panelas. Começa em aderência até chegar numa canaleta de mato. Passando para a parede do lado direito, a mesma da Sai de Baixo, entra em lances mais verticais. Um misto de aderência com pequenos regletes e cristais intercalado com algumas agarras melhores. A segunda cordada segue neste estilo até alcançar uma aresta e virar para a direita em lances bem verticais e cheio de agarras. Alguns metros acima a via desvia para a direita seguindo a linha da aresta, mas sem virar para o lado da aderência. Continua pela parede da direita mais vertical e com lances de regletes e abaulados. Pode-se desviar deste final mais difícil entrando na aderência e seguindo pelo final da Sai de Baixo.
      Biscui guiou a primeira cordada levando mochila. Nos lances finais teve que deixá-la no caminho. A mochila muito pesada tirava da parede. Na segunda cordada, quando terminei os lances verticais e olhei o resto da via, percebi que não tinha costura suficiente para terminar a via. Peguei mais algumas costuras mas parecia que não seria suficiente. Além disso, os lances finais pareciam bem mais difíceis e o final estava um pouco molhado. Resolvi tocar pela Sai de Baixo e fugir (ahahah). Saímos da parada e andamos até o cume norte. Não fazer rapel nestas vias é bem melhor. Aliás, não fazer rapel é sempre melhor!
      Sem combinar, o Alexandre Speed apareceu no cume. Estava sozinho. Acabamos escalando a Pedra dos Incas e depois tocamos embora. Nada como um dia de escalada no morro. É sempre um imenso prazer!

      Pra variar, não tem foto minha escalando. Mas desta vez foi a pilha da câmera que acabou. Eita!!!

Rampa de acesso ao Campo das Panelas. Praticamente uma cordada de uns 30 metros de II grau (rsrsrs).

Biscui na 1ª parada. E a mochila abandonada umas costuras antes (rsrsrs).

19/03/2010 Caroço da Esfinge e Parque do Lineu.

      Na sexta-feira, dia 19, Alexandre Speed me telefona chamando pra escalar no Marumbi. Tempo relativamente bom para esta época, topei na hora. Se o tempo anda firmando agora, esperamos que na temporada firme mais ainda.
      E como comentamos, agora é hora de ficar de olho no Marumbi. Se o tempo abre é melhor aproveitar. A expectativa e a prioridade é o Marumbi. Caso contrário vai pro morro engrossar os dedos!

Dia 19/03
      Dia de subir para o Marumbi, aproveitando o bom tempo. Enquanto o Speed
estacionava o carro na estação Eng. Lange, Waldemar Niclevicz também chegava na estação. Como estava sozinho, abriu sua casa para ficarmos. Nos dois dias seguintes seria, com certeza, nosso parceiro de escalada.

Dia 20/03
      Neste dia entramos na via Caroço, na Esfinge. Eu praticamente fiquei assistindo a escalada do Waldemar e do Speed. Apesar do incentivo, preferi não guiar nenhuma das 6 cordadas. Como os dois tem muita experiência e escalam forte, preferi ficar na minha, afinal , ainda não estou acostumado com as escaladas do Marumbi. 
      Ainda não tinha escalado no sistema em A, onde os dois segundos escalam simultâneo. Achei a escalada muito rápida. Cordada de três costuma ser mais demorado, então,  quando é possível escalar simultâneo, escale simultâneo!
      Ao final da última cordada, tentamos agilizar o rapel antes da chuva, mas ela caiu com força já no primeiro dos quatro rapéis. Só aliviou quando estávamos no último rapel.

Dia 21/03
     Neste dia o Waldemar equipou a via Morcego, no Parque do Lineu. O Speed entrou em top e em seguida experimentei esta via também em top. Ótima via. Em seguida, Waldemar guiou a 1ª cordada da Maria Buana. De novo no sistema em A, eu e o Speed entramos na via. A 2ª cordada ficou para o Speed, que escalou rápido. 
      Foi minha segunda vez nesta via, e senti que escalei bem. Provavelmente vou experimentar guiar na próxima vez que visitar o Lineu.


     Marumbi tem a fama de ser difícil, complicado, cansativo, etc. Obviamente que pra escalar lá é preciso empenho. A verdade é que se você vai pra um lugar e só passa perrengue, não acha trilha, não termina via, pega chuva, só tem motivo para não voltar naquele lugar. Nas poucas vezes que escalei no Marumbi, estive sempre com alguém que conhecia bem o lugar. Isso ajuda bastante. 
      Mas o que ajuda de verdade é ir lá escalar. Quer escalar no Marumbi? Então vá para o Marumbi. Quer escalar melhor, no Marumbi? Então vá mais vezes para o Marumbi!!!

Speed iniciando 1ª cordada, Caroço.

Waldemar na 2ª cordada, Caroço.

Speed, no início do diedro na 4ª cordada. Diedro fantástico!

Waldemar na Morcego. Bastante neblina, mas estava bom.

Visual maravilhoso! Em segundo plano o Speed na base da Maria Buana.

Cobra coral, no meio das pedras no meio da Torneirinha.

De Volta Pra Casa, De Volta Pra São Luís

      Uma semana após voltar da Argentina, fui visitar o setor 1 de São Luís do Purunã, no dia 13 de março. Pra mim, um ótimo lugar para retomar as escaladas pelas "redondezas de casa" (rsrs).
      João (Biscui) e eu começamos na via Mato Psicodélico. Em seguida, o Biscui entrou na Sangue sacando. Depois de uma pausa pra comer alguma coisa seguimos em frente e entrei sacando na Braço de Moça.
      Para manter o nível, ou melhorar, levei o Biscui para conhecer a Chico Science, via muito bonita onde sempre recomendo fazer em duas cordadas devido ao imenso platô no meio da parede e uma quebra de ângulo que deixa a corda pesada. Há quem faça numa cordada só, mas acredito ser mais interessante assim. Guiei a primeira parte que considero forte, e em seguida o Biscui fez a segunda parte, que também é complicada.
      Continuando em frente fomos até a via Há Tempos. Via curta em móvel, mas bem interessante. Entrando de segundo, escorreguei já com as mãos no platô da parada e esfolei o braço direito numa arvorezinha. Nada demais. Voltando pela trilha, ainda entrei sacando na Jumping Jack. Em seguida na Xote da Meninas com o Biscui na ponta.
      Nada mal hein, Biscui. Ficou parado um mês inteiro e já foi direto pro setor 1 fazer força em sete vias!!! Show!!!

Rapel da parada da Jumping Jack/Xote. Biscui, o Mr. Staff (rsrsrs).

Patagônia Argentina 2010 - As 10 Melhores Fotos

      Difícil selecionar 10 fotos de praticamente 3000. Isso mesmo, juntando as fotos das três máquinas que tínhamos disponíveis, foram cerca de 3000 fotos.
      Obviamente que tem muito lixo no meio disso. Por exemplo, aquelas fotos inúteis que tiramos daquela janela minúscula do avião, um monte de fotos do relógio marcando temperatura da água (uma bastava!), foto de vitrine de lojas (pra quê isso!!!) ou qualquer outra coisa inútil que dá até vergonha de lembrar (rsrs).
     
      Enfim, vai aí a minha seleção de fotos que resume bem as paisagens e as escaladas que mais curti na Argentina.










Patagônia Argentina 2010 - Gastos

Gastos de Viagem


      O trecho ida e volta de Curitiba para Bariloche foi via aérea. Foram R$260,00 entre Curitiba-São Paulo e R$900,00 no trecho São Paulo-Bariloche.
      Além disso, gastei R$90,00 em um hotel em Guarulhos. Na ida gastei $25,00 para embrulhar minha bagagem com plástico, o que me deixou mais tranquilo. Imaginar que podiam extraviar meu equipo de escalada dava arrepios (rsrsrs). Imagine chegar no Frey sem aquela corda dupla e teus jogos de Camalot e stoppers. Se mate!!! (rsrsrs)

 Protect Bag. Proteção da bagagem e mais tranquilidade.

Gastos na Argentina

      Em 20 dias de viagem, houve gastos com tudo quanto é tipo de coisa. Eu tento ser organizado com relação ao dinheiro, mas numa viagem assim é difícil você ficar anotando tudo que gastou detalhadamente. Basicamente eu tinha notas de $100,00. Tirava uma do bolo e ia gastando (rsrsrs). 
      Guardei praticamente todas as notas de mercado, portanto posso ter uma boa idéia de quanto gastei de mercado. Camping e hostel também é fácil chegar no montante correto. O problema é quantificar os gastos com restaurante, deslocamento de ônibus, táxis e vans, internet, telefone e outras coisinhas que vão esvaziando o bolso sem perceber direito.
      Considerando as notas de câmbio, eu tinha à disposição $2.170,00 (R$1.180,00). Destes, voltei com exatos $89,85. Portanto, gastei exatos $2.080,15.
      Tentei dividir os gastos em categorias, e seus valores são aproximados:
  • Mercado: $350,00
  • Deslocamento: $300,00
  • Hostel: $380,00
  • Camping: $70,00
  • Restaurante: $400,00
  • Compras diversas: $250,00
  • Não identificado: $330,15
      Somando as categorias, gastei cerca de $1750,00 mais $330,15 que simplesmente não consegui identificar onde foi gasto. Provavelmente foi pra barriga (rsrsrs).

Na Próxima Vez...

      Com relação à viagem, pode-se escolher entre gastar três dias viajando de carro, ou um dia de avião. Carro é mais barato, mas se quer aproveitar mais, melhor ir de avião. A opção ônibus também é mais barata, mas também demora. Em uma próxima temporada eu provavelmente pegaria um vôo direto de Curitiba para Buenos Aires, eliminando o trecho Curitiba-SP. De lá, gastaria um dia de ônibus indo até Bariloche. Acredito que assim sairia barato e não se perde dias e dias viajando. Custo-benefício mais interessante.
      Estando em Bariloche, mas fugindo do turismo local, procuraria ir direto para algum camping. Nada de hostel e longe de restaurantes caros. Se deslocar sempre de ônibus circular. São razoáveis e gasta-se muito pouco. Por exemplo, o trecho Aeroporto-Centro de táxi sai $60. Se pegar uma van, $15,00. Mas se pegar o autobus, sai cerca de $3,00!!!
      Se resumir a viagem em passagem, camping e mercado, com certeza iria diminuir os gastos pela metade ou menos. Ou seja, com uns R$600,00 você se vira por quase um mês. Sem contar a grana da passagem, claro! Mas isso é para quem não está atrás de luxo e quer se enfiar no Frey e ficar acampado por lá até enjoar.
      Se não tiver tão preocupado com dinheiro o negócio é aproveitar que o câmbio está à favor e ficar num hotel ou hostel em Bariloche, conhecer alguns restaurantes e bares e ainda levar pra casa uns chocolates de Bariloche e uns vinhos argentinos.

Primeira semana...
Segunda semana...
Terceira semana...

4 de abril de 2010

Clemenzo 150m 5+, Torre Principal, Frey

      Comparando a Clemenzo com a Sifuentes-Weber, as duas tem a mesma graduação. Mas a semelhança acaba aí. Na Principal posso dizer que tive uma experiência de escalada tradicional que ainda não tinha experimentado. Até aquele momento não havia feito nenhuma via maior e com aquelas características. Cordadas longas, proteção exclusivamente em móvel, fenda off-width,  chaminé,  clima imprevisível, rapel complicado e muitas supresas.

Linha da via, paradas e linha do rapel. Marcação aproximada do que fizemos naquele dia.

      Primeira cordada: guiei confiando que seria fácil. E era. Basicamente trepa bloco, fendas de mão e agarras. O problema é a dúvida de entrar sem saber se está na linha da via, se vai encontrar uma parada e que tipo de parada vai encontrar. Errei por uns três metros. Quando ví, a parada estava uns quatro metros para baixo e uns três para o lado esquerdo.

      Segunda cordada: o Bruno seguiu por um caminho relativamente óbvio por platôs. Quando viu a parada, em fitas e cordeletes velhos em volta de um bico de pedra, seguiu mais um pouco pra cima e montou parada em móvel. Acabou fazendo um bom trecho do que seria a terceira cordada. Na verdade, acabou fazendo a parte difícil da terceira cordada, mais vertical. Sobrou a parte fácil , uma transversal, com um vazador nos pés. Obrigado, Bruno! (rsrsrs).

      Terceira cordada: tirando a parte que o Bruno fez por mim (valeu aí!!!), a transversal acabava debaixo de uma fenda vertical que parecia um off-width extremamente difícil. Só de olhar os dois já se cagaram! (rsrsrs)
      Mais uma vez não tinha encontrado uma parada sequer. Comecei a preparar uma parada com fitas em blocos para dar segue para o Bruno. Ainda iríamos decidir quem ia se arriscar naquela fenda, ou quem sabe procurar a variante “Hot Dog”. Resolvi descer num platô uns 3 metros para baixo para dar segue. Nisso encontrei a parada debaixo de mim! Três pitons velhos, cheios de fitas e cordeletes. De novo a parada estava uns três metros pra baixo! (rsrsrs)
      Quarta cordada: Olhando melhor o croqui e olhando para os lados, encontramos a fenda certa mais à esquerda. Na verdade já estávamos considerando encontrar a tal Hot Dog para desviar daquele suplício. Mas o que estávamos olhando e se cagando era alguma coisa qualquer que seria consideravelmente muito mais difícil. Tínhamos encontrado a linha certa da via mais à esquerda. Pelo menos o que encontramos era uma linha onde sabíamos que dava para progredir. O Bruno resolveu guiar, e eu agradeci (eheheh).
      Consideramos esta a parte mais difícil de toda a via. Começava em fendas subindo em alguns blocos até entrar no que seria um diedro com uma fenda no meio. Ótima para colocação dos camalots #3 e #4. A progressão pelo diedro era um misto de chaminé, fenda de mão e muita confiança. Na pior das hipóteses iria se puxando pela peça e levando junto. Cansativo.
      A parada mais uma vez era em bicos de pedra. Interessante observar que, enquanto eu encontrava paradas em pitons velhos, ele sempre acabava em paradas em bicos de pedra. Constatação interessante, e sinistra também.

      Quinta cordada: saindo uns 3 metros para a esquerda da parada, a via fazia um ângulo de praticamente 90 graus e subia. Depois de uns 5 metros subindo chega-se numa caverna. Na caverna as opções seriam seguir por uma fenda, quase toda em artificial, ou entrar numa chaminé. Mesmo identificando que o lance na fenda seria um artificial demorado, segui protegendo e usando todas as paredes em volta tentando progredir, até que cheguei num ponto onde não tinha opção. Fazer em artificial iria demorar muito. Principalmente para mim, sem experiência em artificial. Voltei para o chão da caverna e montei uma parada em móvel. Decidiria o que fazer junto com o Bruno. Seria um erro seguir em frente. A corda já estava pesada devido à quebra de ângulo e não conseguia mais me comunicar com ele.

      Sexta cordada: a via deveria ter acabado na quinta cordada, mas com os problemas surgindo, as cordadas foram se multiplicando. Com o Bruno para ajudar na decisão, mais uma vez ele resolveu fazer o trabalho difícil e foi encarar a chaminé. O psicológico pegou e no meio da chaminé ele volta. Eu volto para a fenda e protejo o mais alto que consigo e volto. Agora sim, o Bruno guia a chaminé com um pouco mais de proteção e vence a chaminé. Depois de puxar as mochilas ele deixa a minha pendurada numa peça e termina a cordada. Na minha vez, subo pela terceira vez a fenda e limpo as peças. Faço um malabarismo para não ter que voltar ao chão e entro na chaminé já no meio dela. Depois de vencer a chaminé e um tetinho logo em seguida, pego minha mochila e sigo até a parada. Neste ponto era para encontrar uma parada de onde faríamos o rapel, mas me deparo com o Bruno numa parada em móvel, de novo!

      Sétima cordada: Nesta altura já estávamos no platô final onde várias vias se juntam. Como não encontramos nenhuma parada, nos preparamos para subir mais alguns blocos e tentar encontrar alguma parada indo em direção à face norte da agulha. Ao subir um pouco, o Bruno já visualiza a parada. Ufa!

      Rapel: se a escalada já tinha nos brindado com algumas surpresas, o rapel ainda traria muito mais. Foi neste rapel que comecei a entender a problemática dos rapéis (rsrsrs).
      O primeiro rapel foi fácil pois conseguimos visualizar uma parada mais abaixo.
      No segundo começou o problema. O Bruno desceu e não encontrou parada. Desci em seguida para tentar ajudar. Quis descer um pouco mais em linha reta, mas o Bruno já tinha feito isso e não tinha encontrado nada. Estávamos perdidos num platô a mais ou menos uns setenta ou oitenta metros do chão. Tínhamos que achar um ponto mais baixo para fazer um último rapel até o chão. Baixei para o lado norte. Um vento absurdamente forte. Desci até a corda ficar na minha mão. Prendi a ponta numa fenda com uma peça para não perder a corda e tentei andar para os lados na esperança de encontrar algo. Nada feito. O Bruno estava na sombra e mesmo sem vento estava ficando com frio. Também ficou preocupado em ficar isolado da corda, pois à medida que eu decia e procurava alguma coisa, estava me afastando dele. Como não encontrei nada,  tive que subir uns 25 metros jumareando com cordeletes. O Bruno batendo os dentes de frio, desceu novamente em linha reta, e desta vez encontrou uma malha rápida com fitas em volta de um bico de pedra. Pô, Bruno! Parada em bico de pedra de novo? (rsrsrs) Pelo padrão, se eu tivesse descido terido encontrado parada em pitons. Mas como foi ele que encontrou a parada, ela estava em bicos de pedra (rsrsrs). Piadas à parte, ainda havia a preocupação de saber se conseguiríamos alcançar o chão naquele rapel.
      Parada encontrada, desci para me juntar ao Bruno e puxar corda. Quando puxo, ela prende. Para nossa sorte, tinha como subir escalando até onde prendeu a corda. Me equipei e subi. A corda prendera num imenso bico um pouco acima do platô onde estávamos perdidos. Desci. Fizemos um backup em outro bico de pedra maior abandonando uma fita do Bruno. Descemos até o chão, enfim!

      No final das contas, fizemos a via em cerca de seis horas. Cronometrando a empreitada toda, foram onze horas e meia.
      Em valores aproximados, gastamos uma hora e meia para aproximação e encontrar a base da via. Uma meia hora se arrumando e tirando algumas fotos. Seis horas de escalada. Umas duas hora perdidas no rapel cheio de problemas. Alguns minutinhos no chão arrumando a tralha e comendo alguma coisa. E finalmente, uma hora e meia se largando pelas pedras e chegando no acampamento.
      Saída do acampamento às 9:30hs. Chegada no acampamento às 21:00hs. Definitivamente, o maior perrengue que já passei. Sensação de ter superado muitos limites. E constatação de que preciso escalar muita parede e buscar o máximo de experiências antes de encarar algo realmente complicado. Aquilo alí é brincadeira de criança e mesmo assim levamos um pau! (rsrsrs)

2 de abril de 2010

Sifuentes-Weber 100m 5+, Agulha Frey, Frey

      Para quem nunca escalou na região, a própria Agulha Frey é um verdadeiro campo-escola. É possível escalar em fendas, diedros, aderências e tudo mais com colocações em móvel, corda dupla, cadeirinha carregada de equipamento e fazer isso sem se preocupar em passar a noite na parede.
      As possibilidades de se perder e acabar em uma variante ou em outra via são grandes nessas paredes. O croqui estava sempre na mão para conferir o caminho e tomar uma decisão. Na dúvida haveria sempre uma parada para rapel por perto. Dividimos o equipamento em duas duplas. Eu e o Edu primeiro. O Bruno e a Bia em seguida.

Linha da via.

       Primeira cordada: A primeira cordada foi do Edu. Início em trepa bloco que vai se tornando um diedro. A dificuldade desta cordada está no final do diedro em lance bem vertical e aéreo. O psicológico pega, mas as proteções são ótimas. Obviamente não se pode dar ao luxo de cair pois a saída do lance é um platô. Vencido isto, mais alguns lances fáceis e chega-se na parada.

       Segunda cordada: esta é a mais longa das quatro. Na saída, parecia mais fácil sair para a direita, mas a linha era para a esquerda, mais vertical. A via continua por um diedro positivo à direita, mas de novo era possível entrar errado e tocar para a esquerda. Protegi bastante no diedro. Esta proteção demasiada me daria dor de cabeça depois. O diedro acabava em outro ponto que me deixou em dúvida e mais uma vez puxei o croqui. Os lances seriam para a direita, mais verticais e protegendo em pitons. O primeiro piton nem tinha visto e protegi com stoper e um camalot pequeno em uma fenda para a esquerda. Nessa hora vi que ainda tinha pelo menos um terço da cordada, e estava praticamente sem costuras. O equipamento tinha sido dividido entre duas duplas, e o Bruno também iria guiar esta cordada com poucas costuras. Nesta altura da via, encontrei uma chapa mais à esquerda e entrei em lances de aderência com regletes para me ancorar nela. Esperei o Edu repassar as cordas que estavam emboladas. Em seguida ele foi me descendo e eu fui limpando algumas costuras para usar pra cima. Refiz os lances do diedro, limpei a chapeleta onde me ancorei, voltei para a linha da via e terminei a cordada ainda fazendo milagre com costuras (rsrsrs).

       Terceira cordada: depois de dar segue para o Edu, repassamos as cordas e saí. O Bruno já tinha alcançado a gente e botava pressão pra ir mais rápido. Início vertical com poucas agarras, saí para um diedro positivo que ia se tornando mais vertical a medida que vai chegando debaixo do teto. Antes do teto a única proteção é um piton velho. Sem agarras para mão e praticamente sem possibilidade de proteção, fiquei um tempo pensando em como fazer a travessia para a direita, por baixo do teto. Debaixo do teto era um pequeno platô inclinado. Havia alguns blocos mais distantes com possibilidade de segurar, mas até chegar neles, seguiria somente pisando na beirada do platô, o que não era uma sensação gostosa quando existe somente um piton velho à uns 3 metros para baixo. Protegi com uma peça minúscula em uma fenda tão rasa que, em caso de queda eu duvido que aquilo me segurasse. Mas o psicológico melhorou e fiz a travessia. Fácil. A próxima proteção depois daquele piton e o camalot suspeito, seria uma chapa na parede do teto, depois de atravessá-lo inteiro. A parada estava a uns 4 metros mais à direita, depois de atravessar o teto.

       Quarta cordada: Depois de algumas fotos e um pouco de contemplação, o platô desta parada já estava com nós quatro. Esta última cordada era um brinde. Fácil. Do chão tem-se a impressão que é uma cordada em uma fenda vertical do começo ao fim. De perto é outra coisa. A fenda é cega e cheia de pitons no início até a primeira “barriga”. O último piton ignorei e usei uma peça, protegendo em móvel. Segue pela fenda até entrar em lances fáceis de agarra. Depois de virar a segunda “barriga”, termina praticamente andando e segurando nos imensos buracos.

       Rapel: pode ser feito pela própria via ou por trás da agulha. Escolhemos por trás da agulha e ficamos um tempo procurando o caminho para descer. Pirambeira do inferno! (rsrsrs). Descobrimos em outro dia que poderíamos ter feito um segundo rapel e descer pela frente da agulha. Mas como o croqui indicava um rapel atrás da agulha, fizemos como estava escrito.
Final da quarta e última cordada.

      Somando aproximação e escalada, levamos um pouco mais de 5 horas para fazer a via. Considerando pelo menos uns 15 minutos de caminhada, meia hora se arrumando na base da via, e o tempo gasto recuperando costuras no meio da segunda cordada, com certeza daria pra fazer em pouquíssimo tempo. A segunda cordada era realmente muito longa e a mais difícil. 
      Faltou experiência pra ler o croqui e entender que poderia faltar equipamento. Mas a experiência sobrou na hora de se virar e continuar a escalada.

1 de abril de 2010

Patagônia Argentina 2010 - Semana 3/3

      Levando a sério o cronograma estabelecido, tínhamos mais cinco dias de empreitada no Frey antes de retornar para Bariloche e curtir um dia de escalada no Vale.
       Desta vez pegamos a trilha a partir dos teleféricos. Uma trilha muito bonita, permitindo uma visão privilegiada do Tronador e um visual arrebatador.
Panorâmica com o Tronador ao centro.

Tronador ao fundo. Atrás de mim, uma pirambeira sem fim. Não dava pra ver o fundo do vale!!!

      Obviamente que tínhamos que olhar por onde pisávamos pois o solo era bastante instável. Um escorregão alí e iria para uns 500 metros abaixo debaixo de pedras. Impossível ver o fundo do vale.

       Nos dias de escalada entramos em vias na agulha M2. Del Diedro e Socotroco. Neste dia não fiquei à vontade de guiar. Só entrei na Socotroco, onde foi armado um top.
      No dia seguinte seguimos em direção à Torre Principal com o intuito de escalar a via Clemenzo. Saímos tarde do acampamento, e como não encontramos a base da via, desistimos de escalar. Acabou que neste dia a única coisa que fiz de interessante foi nadar na Laguna Toncek. Este dia estava mais quente e a água não estava tão fria.
      No que seria nosso último dia de escalada no Frey, resolvemos tentar a Clemenzo novamente. Mas desta vez só eu e o Bruno. Acordamos mais cedo, dividimos o equipamento, deixamos o equipamento do Edu, que iria repetir a Diedro de Jim com a Bia, e nos largamos para a Principal. Com um pouco de dúvida, mas decididos, encontramos a base da via.
      Lembrando que a Clemenzo é uma via antiga e de estilo tradicional. Seria esperado cordadas mais expostas e de estilos diferenciados. Sabíamos que teríamos um off-with, e tínhamos os betas. Mas não tinha me dado conta que a última cordada teria uma chaminé.
      Escalar esta via foi uma das melhores experiências no Frey. E como em qualquer outro lugar, existe uma regra implícita: se a escalada é fácil, então é exposta. Se é difícil, bom... não precisa dizer mais nada! (rsrsrs)