Quase três meses sem escrever no blog, resolvi colocar em dia algumas trips muito boas. Nada como voltar escrevendo sobre um dos melhores points, ou melhor, uma das melhores regiões do Brasil, concentrando setores de escalada incríveis.
Seja esportiva, tradicional, boulder, ou qualquer coisa que se imagine, é encontrado na região de São Bento do Sapucaí.
Para continuar a boa sequência de escaladas deste ano - que começou no Frey - nada como conhecer o Baú e região. Contrariando o mau tempo que rolava solto no Brasil inteiro, eu e o Fabiano "Ganso" conseguimos escalar uma semana inteira na região. O único dia de chuva coincidiu com o dia de descanso.
Para ser mais direto, vai aí o resumão da trip:
Domingo, 16 - Bauzinho
Neste dia amanheci mal. O almoço num posto de beira de estrada no dia anterior não caiu bem.
De qualquer forma, fomos até o Bauzinho conhecer o point. Resolvemos pegar a trilha atrás do bar em busca das bases das vias, e quem sabe fazer algumas cordadas da V de Vingança. Mas outro problema surgiu: as vespas da primeira cordada deram um susto no Ganso que voltou com duas picadas na mão e no ombro. Não era dia de escalar mesmo.
Segunda-feira, 17 - Bauzinho
Inauguramos a escalada na região com a V de Vingança. Desta vez fomos cedo quando os bichos picantes e voadores ainda estavam fora de atividade devido ao frio. Esta via é clássica da região e realmente vale a pena a entrada. O que incomodou neste dia foi a demora pra encontrar a base da via. Faz parte!
A primeira cordada tem um diedro fantástico, com colocações móveis. Uma das melhores cordadas.
A segunda, a única com um esticão em aderência. A leitura deste trecho seria facilitado se o croqui indicasse as ilhas de vegetação. E no final da cordada é fácil confundir as paradas. Existem duas outras vias do lado esquerdo dela. A parada certa é bem para a esquerda.
A terceira, com o lance chave de 6sup.
A quarta, uma travessia exposta, mas muito fácil. Psico total.
A quinta, outra cordada com proteções esticadas, mas fácil.
A sexta, uma cordada mais vertical e proteção esportiva. Realmente boa.
A sétima, a última cordada, um passeio em aderência. Travessia para a direita e sobe para o topo do Bauzinho.
Diedro fantastico na 1ª cordada.
2ª cordada. Olhando o croqui e tentando nao errar o caminho. O unico esticao na via.
Eu menti na foto anterior. A 4ª cordada tambem tem um esticao em travessia.
Ultima cordada e um passeio. Visu do Bau, muito lindo.
Croqui da via, na visao do escalador. Os esticoes e algumas referencias nao existem no croqui original.
Terça-feira, 18 - Pedra da Divisa
Com o desgaste dos dias anteriores, a opção esportiva parecia interessante, mas novamente o guia não ajudava muito a identificar as vias. Finalmente desistimos do guia e olhamos a parede. Olhei uma linha do setor Pilar Central e achei que dava pra fazer. Pelo menos era possível visualizar os movimentos, mas já estava esperando um "espanco".
Até hoje não sei qual via me atropelou, Choque 8c ou Psycho Man ?. De qualquer forma achei que fui longe pelo tamanho da encrenca. O Ganso também levou um espanco da via. Entrei novamente pra ver se chegava até onde fui sacando, mas o negócio era difícil mesmo. Limpamos e saímos.
Resolvi entrar em uma via no setor Tetos (acho que era este setor). Se não me engano era a Chão de Giz 7a, mas também estava difícil. Esse dia acabou aí, afinal, os dedos e os músculos pediram arrego. E pra escalar nestes setores é preciso estar no ritmo da esportiva. Forte!
Se não me engano, Psycho Man. Grau? Sei lá! O croqui não diz, mas é oitavo pra cima.
Quarta-feira, 19 - Descanso
Este dia tinha sido eleito o "dia do descanso". E pra nossa sorte, foi o único dia que resolveu chover. Dá-lhe Climb On nos dedos pra tentar recuperar a pele!!!
Quinta-feira, 20 - Quilombo
O programa deste dia era pra ser Ana Chata, mas resolvemos ir para um setor que não tivesse grandes caminhadas. Fomos em direção ao Coimbra, mas quando vimos o tamanho da pirambeira... demos meia-volta (risos).
Rumamos pro Quilombo. Depois de pegar informações com um escalador da região, o Pardal, ainda acabamos encontrando o André Berezoski na casa dele, que deu mais algumas informações e tocamos pro pico.
Vias de uns 12 metros, entramos na Apatheid Muscular 7a/b e Voodoo 8a. A primeira saiu na segunda tentativa, a segunda nos últimos lances errei um pé e perdi a cadena na segunda tentativa. Tentei, mas não saiu. Desencanei.
Apatheid Muscular, 7b e Voodoo, 8a/b
Sexta-feira, 21 - Ana Chata
Neste dia não tinha escolha. Ir pra São Bento e não escalar na Ana Chata não vale! (risos)
Para variar, o guia não é claro com relação as trilhas. Na verdade parecia simples, até aparecerem bifurcações e trilhas paralelas. Se houvesse indicações com fitas, assim como ocorre no Marumbi, seria menos penoso achar o caminho das pedras.
Muitos espinhos depois, quando encostamos na parede da Ana Chata, olhamos pra cima e seguimos em direção à Peter Pan. Achamos uma chapa e não gostei muito do que vi. Passei a ponta da corda pro Fabiano. Quando ele começou a tentar os primeiros lances notei que realmente estava mais difícil do que a indicação no croqui. Pedi pra ele se pendurar na costura e fui alguns metros para o lado direito. Achei a via!
Provavelmente estávamos na Cidade Deserta 4ºV A2. Saímos dalí e recomeçamos na via certa. A Peter Pan é muito fácil comparado ao que fizemos no Bauzinho. O único lance mais forte era um IVsup que o Fabiano mandou tranquilo. Lance vertical entrando num diedro, mas usando as imensas e fartas agarras na parede.
Terminando a via, ainda fizemos a 5ª cordada da via Lixeiros que permite alcançar uma estação de rapel para o lado Sul (escalamos o lado Norte).
Pra variar, a única trilha que encontramos não nos levou direto para o carro. Acabamos varando um mato propício a cobras até acabar em uma fazenda. Daí em diante, pegamos a estrada e andamos alguns bons 30 minutos até encontrar o carro, de noite!
Dava pra ver a linha das vias na parede. Mas e a trilha, cadê?!?
Peter Pan, IV. Última cordada é ligação com a via Lixeiros, para alcançar a estação de rapel.
Sábado, 22 - Pedra do Baú
Ir para São Bento e não escalar a Pedra do Baú seria um crime. A intenção inicial era fazer pelo menos uma via em cada pico. No Baú surgiram várias opções, mas todas eram um pouco além das nossas habilidades: Marvada Bunda, Learning to Fly, etc.
A vontade era de fazer a Lerning to Fly. Mas conversando com o Eliseu Frechou, iria faltar algumas peças bem pequenas do tipo Camalot C3. Mas com o passar dos dias acabei gostando de uma linha que estava inteira demarcada na página 23 do guia. A sequência seria: Cresta, Normal (2ª cordada) e Pássaros. O Fabiano topou a empreitada e seguimos com este objetivo.
Ao chegar no Bauzinho, encontramos um grupo grande tendo curso de escalada. Uma parte deste grupo estava na Normal do Baú. Esperamos um pouco até que o grupo avançasse mais na escalada.
Descemos o Bauzinho pela trilha até encontrar a escadaria que dava acesso ao Col. Dali, seguimos até a base da via Cresta.
Guiei a primeira cordada (Cresta), indo até a parada que é comum com a Normal. Ficamos um tempo enrolando nesta parada pois a galera do curso ainda estava ali.
A segunda cordada era um passeio que o Fabiano aproveitou. Seria a segunda cordada da Normal. A parada fica embaixo do "bico" do Baú.
A terceira foi uma escolha muito acertada. Em vez de seguir por trilha, fizemos cume no Baú pela via Pássaros, 6c. Via muito aérea no começo, virando um pequeno teto equipado em móvel. Coloquei duas peças equalizadas (Camalot .75 e 1 - o Camalot .5 também caberia na fenda). Só lembro de virar o tetinho e quando olho pra trás, a galera do curso descendo a trilha e assistindo o "perrengue" (rsrsrs).
Foto clássica. Na crista do Baú, depois de fazer a Cresta IV e "grudar" na Normal III.
Fabiano na 2ª cordada (via Normal). Depois disso ainda fizemos a Pássaros 6c, no bico do Baú. Alucinante!
Chegar no cume do Baú escalando. Muito bom!
A linha que seguimos: começo na Cresta VI, Normal III e Pássaros 6c.
Domingo, 23 - Retorno
Conhecer a região de São Bento do Sapucaí foi ótimo. O lugar respira o turismo de aventura. E as escaladas em rocha são incríveis. Baú, Bauzinho e Ana Chata são lugares para se escalar várias e várias vezes. Acredito que um mês escalando neste lugar dá para ficar satisfeito. A curtíssima semana que tínhamos à disposição permitiu ter uma boa impressão do lugar. Mas ficamos na vontade de escalar mais. Outras vias, outros setores...
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Visão do Bauzinho, Baú e Ana Chata, a partir do Quilombo.
Recado dado. Nunca se esqueça do que se trata e que existe muito conhecimento, técnica e experiência envolvidas.
Semana inteira completamente ensolarada no Baú. Vocês que já foram e ficaram entocados por causa de chuva: sintam inveja... morram de inveja! (risos)